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Ciclos Lunares e os Sete Reinos Sagrados

 

“O povo se prostrará diante do Senhor, à entrada desse pórtico, nos dias de sábado e de lua nova.” (Ezequiel 46, 3)

 

Estamos sujeitos a vários ciclos naturais em nosso planeta e durante toda a nossa vida.

Na doutrina dos sete reinos sagrados, estudamos um ciclo muito importante que é o ciclo das sete forças primordiais.

Hoje iremos estudar como este ciclo primordial setenário se relaciona com os demais ciclos existentes em nosso planeta.

Um dos ciclos mais importantes existentes no planeta Terra é o ciclo solar,  responsável pelo dia e a noite.

O Sol exerce uma influência muito grande sobre nosso planeta, é desnecessário afirmar que a vida existente na Terra depende totalmente da energia fornecida pelo Sol.

Este ciclo solar do dia e da noite é com toda certeza o ciclo mais importante existente no planeta Terra.

Durante o dia, a luz solar é máxima, e todas as  atividades materiais são realizadas nestas horas; durante a noite as atividades materiais diminuem, chegando  até a cessar num habitat natural.

Podemos perceber que o período diurno, de luz, movimento e energia, favorece  as atividades materiais.

Já o período noturno, de silêncio e escuridão, favorece todas as atividades espirituais; é durante a noite que dormimos e neste período nossa alma se liberta das amarras da matéria e desenvolve  atividades na dimensão espiritual.

Outro ciclo muito importante, e com certeza o ciclo mais importante para os seres vivos após o solar, é o ciclo lunar.

As fases lunares, foram percebidas e sentidas pelo ser humano, logo no início do desenvolvimento de  sua consciência.

Foi através da observação das fases lunares e dos ciclos solares, que o homem percebeu a importância dos ciclos setenários.
Todas as civilizações antigas criaram calendários lunares ou lunissolares, e todas as atividades religiosas ou profanas eram controladas pelos ciclos lunares.

Existem indícios que mesmo em eras pré-históricas, alguns homens já se preocupavam em marcar o tempo. Na Europa, há 20.000 anos, caçadores escavavam pequenos orifícios e riscavam traços em pedaços de ossos e madeira, possivelmente contando os dias entre fases da Lua.

Há 5.000 anos, os Sumérios tinham um Calendário bem parecido com o nosso, com um ano dividido em 12 meses de 30 dias, o dia em 12 períodos e cada um desses períodos em 30 partes.

Há 4.000 anos, na Babilônia, havia um calendário com um ano de 12 meses lunares que se  alternavam em 29 e 30 dias, num total de 354 dias.
Os egípcios inicialmente fizeram um calendário baseado nos ciclos lunares, mas depois notaram que quando o Sol se aproximava da “Estrela do Cão” (Sírius), estava próximo do Nilo inundar. Notaram que isso acontecia em ciclos de 365 dias. Com base nesse conhecimento eles fizeram um Calendário com um ano de 365 dias, possivelmente inaugurado em 4.236 AC. Essa é a primeira data registrada na história.

Quando Cabral chegou por aqui, encontrou os nossos índios medindo o tempo pelos ciclos lunares.  O Francês Paulmier de Gonneville na sua viagem ao Brasil em 1503-1504 teria levado no seu retorno à França, o filho do chefe dos Carijós, com a promessa de trazê-lo de volta no prazo de 20 Luas (Livro: Vinte Luas; autor: Leyla Perrone-Moisés; editora: Companhia das Letras).

O Calendário Hebreu possui uma sequencia de meses baseada nas fases da Lua, mas de tempos em tempos um mês inteiro é intercalado para o Calendário se manter em fase com o ano tropical.

O ciclo solar é um ciclo binário e constante, formado pelo dia e pela noite, pela luz e pela escuridão  e sempre repetitivo, um dia após o outro.

O ciclo lunar inicia-se com a lua nova e segue até a lua cheia, passando em seguida a retornar da lua cheia para a lua nova.

A “Luz Lunar” tem sua máxima intensidade na Lua Cheia e vai aos poucos diminuindo de intensidade até a Lua Nova, quando começa novamente a aumentar de intensidade até atingir o máximo na Lua Cheia.

Sabemos que a Lua é um satélite natural do nosso planeta e que não possui luz própria, sua luz é fruto da reflexão da luz solar em sua superfície.
Através da intensidade da “Luz Lunar” podemos medir os ciclos lunares.

Se considerarmos que o ciclo lunar tem aproximadamente 28 dias (29,530 dias), percebemos que existe uma relação de 14 dias para o “crescimento” da lua e mais 14 dias para o ciclo minguante da lua.

Podemos dizer que o ciclo lunar é formado por dois ciclos: o crescente e o minguante.
Cada um destes ciclos leva aproximadamente 14 dias.

O Homem percebeu que a Lua exercia uma profunda influência sobre as marés, as plantações e ciclos femininos. A lua  foi logo relacionada com a energia feminina e o sol com a energia masculina.

Na doutrina umbandista dos Sete Reinos Sagrados, as sete forças primordiais, podem  ser relacionadas com os ciclos naturais do Sol e da Lua.

As vibrações dos sete reinos sagrados são forças espirituais que se manifestam no plano material e são universais.

Os sete reinos sagrados são formados pelas forças:

Tatá Pyatã

Yby Pyatã

Ybitu Pyatã

Y Pyatã

Caá Pyatã

Abá Pyatã

Angá Pyatã

Sabemos que  a força Tatá Pyatã é a força existente no primeiro reino; o  Reino do Fogo.

Esta força é relacionada diretamente com a luz, com a energia solar, com o calor, com a vitalidade, o dinamismo, o movimento, a energia etc…

Portanto  esta força é relacionada com o dia e com a Lua Cheia.

No outro extremo das sete forças primordiais, encontramos o Reino das Almas e a força Angá Pyatã.
Sua cor é o preto, é a ausência total de luz, de energia e matéria, é o mundo espiritual, o desconhecido, os lugares sombrios, a depressão, a solidão, ausência de movimento, a morte, a velhice, o final de um ciclo etc…

A força Angá Pyatã existente no Reino das Almas, se relaciona com a noite e com a Lua Nova também conhecida como Lua Negra.

O ciclo solar, do dia e da noite, se relaciona diretamente com o primeiro e o sétimo reino.
A vida e a morte, a luz e as trevas, o dia e a noite.

O dia se relaciona com o primeiro reino, sua cor é o vermelho, é o Reino do Fogo, da força Tatá Pyatã, é a energia, a luz. Favorece todas as atividades materiais.

A noite se relaciona com o sétimo reino, sua  cor é o preto, é o Reino das Almas, da força Angá Pyatã, é a morte, o desconhecido, a espiritualidade.
Favorece as atividades espirituais.

Agora vamos analisar os ciclos lunares.

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Vamos iniciar nosso estudo pela sequência dos sete reinos.

É no primeiro reino onde encontramos a máxima energia.

Esta energia vai aos poucos diminuindo e sustentando a vida, até o sétimo e último reino, que é o Reino das Almas, onde não existe mais a matéria, mas somente o espírito. É a morte ( da matéria).

Este ciclo se relaciona com o ciclo lunar que vai da Lua Cheia até a Lua Nova.

Quando o ciclo lunar chega no 14º dia, o ciclo se inverte, passando a seguir o caminho oposto.

Da Lua Nova até a Lua Cheia, encerrando o ciclo de 28 dias (mês lunar).

É fácil identificar que o primeiro ciclo, é o caminho da espiritualidade, do crescimento espiritual.
Este ciclo é indicado para todos os assuntos ligados com a espiritualidade, a matéria perde sua energia e sua força.
O ponto final deste ciclo, o ápice do ciclo, é a Lua Nova, conhecida como Lua Negra.

Este ciclo lunar é chamado, na doutrina dos Sete Reinos Sagrados, de CICLO LUNAR ESPIRITUAL ou Ciclo da Morte.

É um ciclo onde a energia material diminui.

Já o segundo ciclo, que vai da Lua Nova até a Lua Cheia, a energia lunar favorece as atividades materiais.
Neste ciclo a força lunar vai aos poucos aumentando, até atingir o máximo na Lua Cheia.
Este ciclo é recomendado para questões materiais e quando existe necessidade de fortalecer a energia.

Este ciclo é chamado, na doutrina dos Sete Reinos Sagrados, de CICLO LUNAR MATERIAL ou Ciclo da Vida.

É um ciclo onde a energia material aumenta.

Agora iremos relacionar os Sete Reinos Sagrados com os dois ciclos lunares.
Como cada ciclo lunar dura 14 dias e trabalhamos com sete forças primordiais, é fácil verificar a relação de dois dias para cada reino.
Nestes dias a força daquele reino é mais intensa.

Primeiro ciclo – Ciclo Lunar Espiritual

Primeiro Reino – Reino do Fogo – 1º e 2º dias da Lua Cheia – Regência de Ogum

Segundo Reino – Reino da Terra – 3º e 4º dias depois da Lua Cheia – Regência de Xangô

Terceiro Reino – Reino do Ar – 5º e 6º dias depois da Lua Cheia – Regência de Iansã

Quarto Reino – Reino da Água – 7º e 8º dias depois da Lua Cheia – Quarto Minguante – Regência de Iemanjá

Quinto Reino – Reino das Matas – 9º e 10º dias depois da Lua Cheia – Regência de Oxossi

Sexto Reino – Reino da Humanidade – 11º e 12º dias depois da Lua Cheia – Regência de Oxalá

Sétimo Reino – Reino das Almas – 13º e 14º dias depois da Lua Cheia (Lua Nova) – Regência de Omulu

O segundo ciclo lunar – Ciclo Lunar Material

É o ciclo do crescimento da energia material, que começa na Lua Nova e vai até a Lua Cheia:

Sétimo Reino – Reino das Almas – 1º e 2º dias da Lua Nova – Regência de Omulu

Sexto Reino – Reino da Humanidade – 3 e 4º dias depois da Lua Nova – Regência de oxalá

Quinto Reino – Reino das Matas – 5º e 6º dias depois da Lua Nova – Regência de Oxossi

Quarto Reino – Reino da Água – 7º e 8º dias depois da Lua Nova – Quarto Crescente – Regência de Iemanjá

Terceiro Reino – Reino do Ar – 9º e 10º dias depois da Lua Nova – Regência de Iansã

Segundo Reino – Reino da Terra – 11º e 12º dias depois da Lua Nova – Regência de Xangô

Primeiro Reino – Reino do Fogo – 13º e 14º dias depois da Lua Nova (Lua Cheia) – Regência de Ogum

Associando as características de cada reino, com a energia crescente ou decrescente dos ciclos lunares e do ciclo solar, será possível programar as atividades espirituais ou de manipulação energética necessárias (Magia).

Naturalmente que as fases de Lua Cheia e Lua Nova têm as características do primeiro e do sétimo Reino.

Saravá!

São Vicente, 06/10/2013 – 00:59 – 3º dia da Lua Nova

 

Manoel Lopes

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