Elementais e os Sete Reinos – parte II

Iniciaremos este estudo com uma citação de Papus:

“O caráter essencial dos elementais é animar instantaneamente as formas de substância astral que se condensa em volta deles. Seu aspecto é variável e estranho: ora são como uma multidão de olhos fixos sobre um indivíduo; ora são pequenos pontos fixos luminosos rodeados de aura fosforescente. Podem, ainda, parecerem criaturas indefinidas, combinações de formas humanas com animais.”

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Papus  é considerado um dos maiores mestres  em magia e ocultismo,  no estudo dos  elementais é comum se fazer referência a seus textos.

Gérard Anaclet Vincent Encausse, conhecido nos meios místicos como Papus, foi um dos maiores estudiosos das ciências ocultas do século 19.

Médico que se tornou famoso no meio ocultista sob o pseudônimo de PAPUS, nasceu no dia 13 de julho de 1865, em Corunã-Espanha, sua genialidade e dedicação marcaram sua vida, e ele deixou um vasto conjunto de obras que abrangem os vários caminhos que levam o homem a se conectar à sua natureza divina.

Papus foi sem dúvida alguma um grande Mestre ocultista, escreveu mais de 160 títulos, entre livros, artigos, conferências, abordando tanto a medicina como o ocultismo.

Foi levado ao ocultismo por seu amigo Stanislas de Guaita e teve como iniciador o ilustre Marques Yves d’Alveydre. Mergulhou no esoterismo de corpo e alma. No inicio de suas pesquisas, foi atraído pela Teosofia e pela Metafísica oriental, porém, logo se afastou destes princípios, tornando-se um dos criadores da escola de ocultismo ocidental.  Foi reorganizador e presidente do Conselho Supremo da Ordem Martinista, presidente da Ordre Kabalistique de la Rose Croix, presidente da Sociedade Magnética da França e grão mestre de alguns ritos maçônicos.

É a partir desta citação de Papus que iremos continuar nossos estudos sobre os elementais na visão umbandista e principalmente na visão doutrinária dos sete reinos sagrados.

Já apresentamos alguns importantes  conceitos no texto “Os Elementais e os Sete Reinos Sagrados” http://www.blog.mataverde.org/archives/841 ,  agora vamos continuar nos aprofundando neste estudo.

Para que não ajam dúvidas vamos resumir alguns pontos importantes, que foram estudados no texto anterior.

1)Estamos estudando os elementais, a partir de uma visão umbandista e que chamamos de doutrina umbandista dos Sete Reinos Sagrados.
Se você ainda não conhece a doutrina sugerimos, que leia outros textos que foram publicados aqui neste blog, ou através do estudo do livro Umbanda Os Sete Reinos Sagrados – Manoel Lopes, Ed.Ícone , caso tenha interesse em se aprofundar no estudo doutrinário, sugerimos os cursos à distância  oferecidos pelo Núcleo Mata Verde no site  www.ead.mataverde.org

2)É principio doutrinário a existência das sete linhas da umbanda, que refletem os sete reinos sagrados e que são manifestações das sete hierarquias espirituais.

3)Outro principio doutrinário é o caminho evolutivo único do espírito,que tem na sua criação a denominação de mônada espiritual.
Esta mônada atua sobre os sete reinos , sob a supervisão de espíritos superiores e Orixás,  é desta forma que se processa seu desenvolvimento espiritual. Chamamos este processo de Arapé – O Caminho da Luz.

4)Durante este processo evolutivo a mônada recebe várias denominações; quando já alcançou um determinado grau de independência e conhecimentos, atua no reino da Humanidade e recebe a denominação de espírito.
O Reino da Humanidade é o sexto reino, que é regido pelo Orixá Oxalá e que tem manifestação de uma força chamada de Abá Pyatã.

5)Quando começa sua jornada evolutiva, a mônada, atua sobre os primeiros quatro reinos: Reino do Fogo, Reino da Terra, Reino do Ar e Reino da água e nesta fase recebe a denominação de ELEMENTAL.

6)Doutrinariamente separamos a denominação de ELEMENTAL de ELEMENTAR (Vide texto citado anteriormente)

7)Chamamos de ELEMENTARES aquelas mônadas que atuam sobre campos estruturais de seres que ainda são bastante simples,ou seja,são seres elementares. Normalmente se manifestam a partir do quarto reino, que é o Reino da Água e do Reino das Matas.

Agora que relembramos alguns conceitos que foram estudados no texto anterior continuaremos nossos estudos, a partir da análise do texto apresentado no inicio deste artigo.

Vamos separar as características apresentadas por Papus:

1) O caráter essencial dos elementais é animar instantaneamente as formas de substância astral que se condensa em volta deles.

2) Seu aspecto é variável e estranho: ora são como uma multidão de olhos fixos sobre um indivíduo; ora são pequenos pontos fixos luminosos rodeados de aura fosforescente.

3) Podem, ainda, parecer criaturas indefinidas, combinações de formas humanas com animais.

Logo no primeiro item Papus afirma que a função dos elementais é animar as formas de substancia astral que  se condensa em volta deles.

Aqueles que já estudaram a doutrina dos sete reinos sagrados, já conhecem o conceito de CAMPO ESTRUTURAL.

O Campo Estrutural é um dos princípios fundamentais da doutrina umbandista seguida pelo Núcleo Mata Verde.
Ele é o responsável por todas as estruturas existentes em nosso mundo material e no mundo espiritual; no Aiyê e no Orun.
É o campo estrutural que organiza, ou estrutura a energia, moldando a matéria em suas múltiplas características, também é o responsável pelo corpo espiritual ou perispirito como é conhecido pelos espíritas.

Podemos afirmar que o Campo Estrutural é um duplo de tudo o que existe na dimensão física.

É também o Campo Estrutural o responsável pelas estruturas existentes na dimensão espiritual, sejam elas os hospitais espirituais, as colonias espirituais, o umbral, as regiões espirituais e como não poderia deixar de ser ARUANDA entre outras realidades espirituais.

Em outro texto estaremos comentando sobre ARUANDA, uma maravilhosa região espiritual, habitada por  todos aqueles que possuem afinidades com os princípios umbandistas.

Quando Papus diz  “animar instantaneamente as formas de substância astral que se condensa em volta deles” ,ele está dizendo que os elementais estão alimentando campos estruturais que se formam ao redor deles.
Os elementais também alimentam campos estruturais existentes nos sete reinos sagrados e na natureza, seja um campo estrutural de uma pedra, de uma chama, de uma ventania, de uma molécula  etc…
O conceito de campo estrutural pode receber vários nomes, podemos citar por exemplo:  MOB modelo organizador biológico e Campos Mórficos ou morfogeneticos.

O conceito e o termo “Campo Estrutural” foi apresentando pela primeira vez no livro Umbanda os Sete Reinos Sagrados – Manoel Lopes, Ícone Editora.

Ao analisarmos os itens dois e três percebemos que Papus apresenta, de forma bem simples, dois tipos de seres: (2) ora são pequenos pontos fixos luminosos rodeados de aura fosforescente e (3) Podem, ainda, parecer criaturas indefinidas, combinações de formas humanas com animais.

Embora Papus fale somente em  elementais, nós separamos os elementais dos elementares.

No item (2) “ora são pequenos pontos fixos luminosos rodeados de aura fosforescente”, este conceito é o que definimos como elementais e é o assunto deste texto.

No item (3) “Podem, ainda, parecer criaturas indefinidas, combinações de formas humanas com animais”, aqui definimos como seres elementares.

Esclarecida a diferença existente entre elementais e elementares é importante frisar a observação de Papus ao afirmar que estes seres podem se apresentar de “formas variadas e estranhas”, sendo impossível definirmos uma forma padrão para os elementais.

Papus afirma “são pequenos pontos fixos luminosos rodeados de aura fosforescente”, mas no conceito doutrinário umbandista, definimos elementais como Mônadas que atuam em conjunto, e que tem como principal objetivo alimentarem campos estruturais naturais.

Atuarem em conjunto significa uma verdadeira nuvem de mônadas alimentando campos estruturais organizadores das formas naturais.

Como estas mônadas são seres na fase inicial do processo evolutivo, são bem tênues, sua força vibracional é débil, sua vontade é fraca, sendo necessário a atuação em conjunto, formando nuvens com milhares, milhões, bilhões de mônadas para manterem estruturas simples que existem na natureza.
Não temos como precisar esta quantidade de mônadas  que formam estas nuvens, e praticamente é impossível individualizar uma única mônada na fase de Elemental.

Podemos agir sobre elas através do pensamento, através da força da nossa vontade (que é bem superior a de um alemental) e desta forma movimentar estas nuvens de elementais como desejarmos.

Vivemos rodeados de elementais e na umbanda, mesmo sem que saibamos utilizamos diariamente estes seres.

Esta é a base da magia Elemental, que será assunto de outro texto.

Podemos nomear estas  mônadas recém-criadas, estes elementais?

Sim, é possível e estaremos apresentando este assunto no próximo texto.

Abraços,

Saravá Umbanda!

São Vicente, 19/01/2013

 

Manoel  Lopes – Dirigente do Núcleo Mata Verde

 

Obs.: ESTE TEXTO PODE SER REPRODUZIDO, DESDE QUE SEJA NA ÍNTEGRA E QUE SEJA CITADA A SUA ORIGEM

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