Big Bang

Big Bang

A Matéria e o Espírito ( Ayiê e o Orum)

 

No Núcleo Mata Verde ( www.mataverde.org ) acreditamos que a ciência e a religião devem caminhar juntas.
O saber científico não pode contradizer o saber religioso, ambos devem caminhar de mãos dadas e se completarem.
Em função do exposto acreditamos que o estudo deve ser condição primeira em todos os Terreiros de Umbanda, não podemos mais em pleno século XXI abrir mão do estudo em uma casa religiosa onde recebemos vários tipos de pessoas, inclusive jovens ávidos pelo saber.
No NMV seguimos uma doutrina, orientada pelo Caboclo Mata Verde, que chamamos de Umbanda Os Sete Reinos Sagrados.
Os fundamentos desta doutrina tem sua origem no conhecimento científico da atualidade, no estudo da doutrina espírita, na mitologia africana e na mitologia indígena.

O Princípio – O Universo

O Universo é o conjunto de tudo aquilo que existe.
A humanidade busca cada vez mais se aprofundar no conhecimento da origem e natureza do universo.
A ciência moderna tem como principal teoria para a origem do universo o Big Bang.
O Big Bang é a teoria cosmológica dominante do desenvolvimento inicial do universo. Os cosmólogos usam o termo “Big Bang” para se referir à idéia de que o universo estava originalmente muito quente e denso em algum tempo finito no passado e, desde então tem se resfriado pela expansão ao estado diluído atual e continua em expansão atualmente. A teoria é sustentada por explicações mais completas e precisas a partir de evidências científicas disponíveis e da observação. De acordo com as melhores medições disponíveis em 2010, as condições iniciais ocorreram por volta de 13,3 a 13,9 bilhões de anos atrás. Dizem os cientistas que foi neste exato momento que o espaço, o tempo e tudo o que existe foi criado.
Apesar de ser uma tendência da cosmologia investir num princípio, devemos considerar que o argumento que endossa a teoria do Big Bang é uma expansão do universo que pode ser observada. No entanto, essa dilatação pode ser um fenômeno regional, existente apenas nos limites do universo observável ou no alcance do atual telescópio Espacial Hubble. Diante disso, existe a possibilidade desse fenômeno não atender todo o universo. Nesse caso, o que até hoje foi observado seria somente um processo de dilatação regional de causa ainda desconhecida, e somente o desenvolvimento de telescópios de maior alcance e resolução poderiam confirmá-lo.
Não se sabe exatamente o tempo em que este universo irá crescer, mas dizem alguns cientistas, que num determinado tempo tudo deixaria de existir.
Outros cientistas defendem a tese que após um período de expansão haveria um período de retração deste universo até a condição inicial, onde novamente ocorreria novamente outra explosão e uma nova expansão.
O Big Crunch é uma teoria segundo a qual o universo começará no futuro a contrair-se, devido à atração gravitacional, até entrar em colapso sobre si mesmo. Essa teoria suscita um mistério ainda maior de se analisar do que o Big Bang.
Na primeira hipótese teríamos somente a existência de um único universo, que teria uma determinada data de criação e uma determinada data da sua destruição.
Na segunda hipótese, existe a possibilidade da existência de infinitos universos já terem existido e num futuro outros universos virem a existir.
É como um processo de respiração, onde se sucedem expansão e retração da energia.
Consideramos esta segunda hipótese, mais próxima dos ideais espiritualistas que defendemos e divulgamos.
Alguns religiosos já chegaram a falar alguma coisa semelhante à “respiração divina”.

O Planeta Terra

O Universo pela sua idade e dimensões é uma realidade que ainda se encontra bem distante do conhecimento humano.
Já nosso planeta Terra, possui elementos que já foram detalhadamente estudados e compreendidos pelo Homem, a arqueologia a cada dia encontra mais informações sobre a origem do planeta e do homem.
É a partir deste processo evolutivo do planeta Terra que se alicerça as bases da doutrina dos Sete Reinos Sagrados, podemos afirmar que SOMOS FILHOS DO PLANETA.

O Conhecimento humano.

O planeta possui aproximadamente de 4 a 5 bilhões de anos, os pesquisadores dizem que o Homem Sapiens, (nosso ancestral direto) surgiu aproximadamente há 200 mil anos.
Há aproximadamente duzentos mil anos, o homem busca explicações para a vida, a doença e a morte.
Quem somos nós?
O que somos?
Qual a finalidade da vida e da morte?
De onde viemos e para onde iremos?
Nesta busca pelo conhecimento e na resposta destas eternas dúvidas, duas grandes correntes do pensamento humano de destacam: Materialismo e Espiritualismo.

Materialismo e Espiritualismo

A visão filosófica do espiritualismo é a mais antiga delas, pois o homem desde o principio sempre temeu o desconhecido e foi através da crença na existência de seres espirituais: Deuses e espíritos que as religiões se desenvolveram.
Entre as duas correntes filosóficas os espiritualistas são maioria.
Já a filosofia materialista é bem mais recente, tem sua origem no Sec. VI a.C na Grécia.
Vamos conhecer melhor estas duas correntes do pensamento humano.

Materialismo

Vamos iniciar pelo materialismo por ser um conceito filosófico bem mais recente.
O Materialismo é uma doutrina filosófica que admite como realidade apenas a matéria. Nega a existência da alma, do mundo espiritual ou divino. Formulada pela primeira vez no século VI a.C., na Grécia, ganha impulso no século XVI, quando assume diferentes formas.
Para os gregos, os fenômenos devem ser explicados não por mitos religiosos, mas pela observação da realidade. A matéria é a substância de todas as coisas. A geração e a degeneração do que existe obedecem a leis físicas. A matéria encontra-se em permanente metamorfose.
Vamos conhecer um pouco mais sobre esta visão filosófica.

Materialismo Filosófico – No século XVIII, o francês Julien de la Mettrie (1709-1751), os pensadores da Enciclopédia e o Barão de Holbach (1723-1789) lançam o materialismo filosófico, doutrina que considera o homem uma máquina e nega a existência da alma, em oposição ao espiritualismo.

Materialismo Científico – No século XIX surge na Alemanha o materialismo científico, que substitui Deus pela razão ou pelo homem, prega que toda explicação científica resulta de um processo psicoquímico e que o pensamento é apenas um produto do cérebro. Seus principais formuladores são Karl Vogt (1817-1895), Ludwig Büchner (1824-1899) e Ludwig Feuerbach (1804-1872).

Materialismo Histórico – O marxismo, por sua vez, baseia-se numa concepção materialista da história – denominada materialismo histórico por Friedrich Engels (1820-1895) -, pela qual a história do homem é a da luta entre as diferentes classes sociais, determinada pelas relações econômicas da época.

Materialismo dialético – é constituído como doutrina por Lênin e recebe esse nome porque sua teoria é materialista e seu método, a dialética.

Materialismo Energetista – No início do século XX, as idéias de pensadores como Richard Avenarius (1843-1896), Ernst Mach (1838-1916) e Wilhelm Ostwald (1853-1932) dão origem ao materialismo energetista, teoria mais filosófica que científica, pela qual espírito e matéria são apenas formas da energia que constituem a realidade.
Aqui fazemos um breve parêntesis para chamar sua atenção!
É muito comum, atualmente, encontrarmos umbandistas que corriqueiramente dizem em alto e bom som:

Deus e os Espíritos são uma forma de energia…

É um grande erro, pois ao fazerem esta afirmação estão defendendo um princípio materialista, o materialismo Energetista, que teve suas bases apresentadas no início do século XX.
Estes “espiritualistas” estão afirmando, sem saberem, serem materialistas e não espiritualistas.
Em física, a equivalência massa-energia é o conceito de que qualquer massa possui uma energia associada e vice-versa. Na relatividade especial, essa relação é expressa pela fórmula de equivalência massa-energia e=mv² (a famosa fórmula de Einstein).
Fazemos questão de deixar bem claro: ESPÍRITO E MATERIA são princípios totalmente diferentes, um não se transforma no outro.

MATÉRIA NÃO VIRA ESPÍRITO, ASSIM COMO ESPÍRITO NÃO VIRA MATÉRIA!

Como massa se transforma em energia e energia se transforma em massa, pela relação apresentada acima (conhecida formula de Einstein), podemos afirmar categoricamente que espírito não é energia.
Embora aparentemente, sejam conceitos simples, temos presenciado uma grande confusão e falta de base filosófica em muitos escritores, estudiosos e praticantes umbandistas. (Podemos dizer espiritualistas)
A literatura espírita e umbandista é rica nesta erro conceitual.
Quando publicamos o livro “Umbanda Os Sete Reinos Sagrados”, que contém a base doutrinaria do Núcleo Mata Verde, fizemos questão de esclarecer este assunto e na ocasião insistimos neste conceito básico que diz que “matéria e espírito são elementos diferentes, básicos e que um não se converte no outro”.
O Espírito, entre outras coisas, pode ser considerado o “principio inteligente do universo”.
Este é um conceito basilar da doutrina dos sete reinos sagrados: A existência da realidade material, a realidade espiritual e Deus o criador.
Essas três coisas são o principio de tudo o que existe, a trindade universal.
Na mitologia africana encontramos estes três conceitos chamados de Aiyê, Orum e Olorum.

O Espiritualismo

Já aqueles que aceitam o espiritualismo, aceitam que além da matéria existem outras realidades.
Nós os espiritualistas, aceitamos que matéria não pensa, não se emociona, não cria…

Pensar, criar, amar, sofrer são atributos do espírito humano que tem sua essência bem diferente da matéria ou da energia.

Em outro texto iremos estudar as diferentes visões espiritualistas sobre a origem e natureza do espírito.

Abraços,

 

São Vicente, 17 de Maio de 2011

Manoel Lopes – Dirigente do Núcleo Mata Verde

Obs.(1): Divulgue a vontade este texto, somente não se esqueça de citar a fonte.
Obs.(2):Para se aprofundar neste assunto sugerimos que faça o curso EAD do Núcleo Mata Verde, no site www.mataverde.org/ead

 

fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Big_Bang

ENERGÉTICA E EPISTEMOLOGIA NO NASCIMENTO DA OBRA DE WILHELM REICH

http://www.ip.usp.br/portal/images/stories/dissertao-erratas-ailton-bedani_2007.pdf

Manoel LopesDoutrinaGEAU
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